ASAP versus Pmbok (PMI)

Alberto Franco | Compartilhando, Gestão de projetos | Terça, 7 de Julho de 2009

Como algumas pessoas já sabem, eu atuo como Gerente de Projetos focado em soluções SAP, e por diversas vezes me vejo envolvido com metodologias, quer sejam de implantação de projetos SAP (ASAP e ASAP Focus) ou de gestão de projetos (PMI).
Quero então “provocar” algumas reflexões, com uma pergunta. Até quando uma metodologia complementa a outra, ou uma atrapalha a outra?
Se partirmos dos primeiros projetos SAP executados por volta de 1.996, as consultorias pouco conheciam a metodologia de implementação chamada ASAP (AcceleratedSAP), e usavam de conhecimentos empíricos para auxiliar na condução de seus projetos. O ASAP está dividido em 05 (cinco) grandes fases:

1- Preparação do Projeto
2- Business BluePrint
3- Realização
4- Preparação Final
5- Go-live e Suporte

Para os conhecedores desta metodologia sabem que apenas na fase de “Preparação do Projeto” é que teremos uma sub-fase efetiva relaciona a “gestão” do projeto, que é o “Planejamento inicial do e lançamento projeto”, nesta existirão tarefas como “Project Charter” e “Organização do Projeto”. Por mais estranho que possa parecer todas demais sub-fases, tarefas e atividades são totalmente focadas na implantação do projeto. E perguntas básicas como “qual o custo de uma determinada atividade?”, ou “como faço para comunicar aos interessados a evolução do projeto?” Estas e outro monte de perguntas não são respondidas com a metodologia ASAP, cujo foco sempre foi de garantir que todas “atividades operacionais” do projeto fossem concluídas.
Bem o mundo muda, evolui, e as pessoas também, e surge um guia de um conjunto de práticas em gerenciamento de projetos o Pmbok (Project Management Body of Knowledge), assim grandes corporações da época, e atualmente qualquer empresa, passaram a seguir este guia lançado pelo PMI (Project Management Institute), este guia possui uma distribuição de fases de projeto parecidas com o do ASAP, divididas em 05 (cinco) grandes processos:

1- Processos de iniciação
2- Processos de planejamento
3- Processos de execução
4- Processos de controle
5- Processos de encerramento

Estes por sua vez possuem um foco quase que total na gestão do projeto e não no processo de implantação, seus 42 (quarenta e dois) processos (em sua 4ª. edição) estão divididos em 09 (nove) áreas de conhecimentos, a saber:

1- Integração
2- Escopo
3- Tempo
4- Custos
5- Qualidade
6- RH
7- Comunicações
8- Riscos
9- Aquisições

Mas apesar de todos os processos ficam perguntas como “qual será o landscape do projeto?” ou “como será a estrutura organizacional do projeto?” Estas e outras perguntas até poderão ser respondidas dentro da metodologia preconizada pelo PMI, porem “você”, Gerente de Projetos é que deverá saber que existe a necessidade de responder a estas e outras séries de perguntas por fases distintas no ciclo de vida de seu projeto.
Então acredito que ficou um pouco mais claro, ou não, a atribuição ou o espaço de cada uma das metodologias dentro de um projeto, e sem dúvidas é possível entendermos como uma completa a outra e pode sim, ocorrer uma certa sobreposição em alguns casos, mas estes discutiremos em outra oportunidade, inclusive um pouco de ASAP Focus.

Gestão de Projetos – Modismo ou Realidade?

Alberto Franco | Compartilhando, Gestão de projetos | Quarta, 4 de Junho de 2008

É interessante que como em verdadeiros ciclos, ou ondas, surgem em nossas empresas “novas” formas de gestão. Se você é nascido na entre as décadas de 50 – 80, provavelmente vivenciou dentro de sua companhia os programas de produtividade, o ciclo de qualidade total com ISO 9000 e PDCA, na seqüência o TPM, sistemas de gestão empresarial (ERP) e tantos outros programas, que alguns ficaram outros apenas passaram…
Mais importante de tudo em minha opinião é a nossa capacidade de adaptação e de aprendizagem na forma de utilizá-las, e sem dúvidas a maioria delas trouxe verdadeiros ganhos, ou economias, em nossos processos.
Nos últimos anos nossos gurus, os “trust advisor” – ou não, começaram a falar em Gestão de Projetos, e suas áreas de conhecimentos. No início as empresas de tecnologia, que estavam embaladas por um ciclo anterior – dos ERPs, lembram-se “Y2K – Bug do Milênio”, projetos intermináveis, visualizaram na Gestão de Projetos a solução (ou a culpa) de seus problemas.
Na seqüência o segmento das empreiteiras viu nos sistemas que já usavam, Primavera, por exemplo, ganhar um forte aliado a Gestão de Projeto. E assim outros segmentos foram cada vez mais “descobrindo” a Gestão de Projetos, chegando ao ponto da padaria próxima a minha casa “mapear” os riscos de seu negócio usando o PMBOK – para os que não conhecem um guia que engloba as diversas áreas de conhecimentos relacionadas à Gestão de Projetos.
Aí surge minha grande dúvida, ela (padaria) precisa disso mesmo ou é puro modismo? Minha primeira resposta é puro modismo… mas como meu pai sempre me disse a primeira resposta nem sempre é a correta.
Depois de mais um puxão de orelha, resolvi olhar novamente aos outros “ciclos” do passado e de minhas experiências com programas de produtividade, sistemas de qualidade, sistema Toyota, implantação de ERP, e onde eles falharam quando de sua implementação? No gerenciamento, é isso mesmo, o principal motivo da falha é no gerenciamento, mais precisamente na falta de um sistema de Gestão de Projetos.
Yes”, então achamos a solução de todos os nossos futuros projetos? É amigos infelizmente “solução” ainda não, porem temos um guia que certamente continuará evoluindo e pode nortear nossos projetos para que deixemos de fazer necropsias e passemos a fazer biopsias. A Gestão de Projetos é sim uma realidade.
Alberto Franco, PMP