As questões abaixo foram formuladas baseadas em entrevistas de RH… e as respostas retratam não apenas a experiência como também conceitos de supervisão, baseados em autores renomados do IMAM. Coloquei à disposição dos internautas a fim de auxiliá-los em futuras entrevistas e também colher comentários dos colegas para aprimorar, desenvolver e enriquecer minha experiência e conhecimentos de supervisão.
Por quê deixar de ser Gestor de Engenharia e passar a ser Supervisor de Produção?
R: Objetivo de carreira. Para impulsionar meu desenvolvimento é necessário o convívio diário com a produção, vivendo sua lógica e tudo o que acontece. Além disso, possuo as técnicas necessárias de gestão moderna, como amplos conhecimentos de sistema integrado, ERP, MRP, além de lean manufaturing, ferramentas da qualidade e organização e métodos. Atuar como supervisor de produção me transformará em um gestor de alto nível.
Experiência anterior como supervisor de produção?
R: Atuei como supervisor de engenharia e, posteriormente como supervisor de engenharia e qualidade. Esta função me possibilitou aprender a lidar com um grupo de pessoas, entre técnicos, analistas e operadores. Essa experiência me proporcionou aprendizado de liderança sobre profissionais diversos – desde especializados até operadores de produção. Comecei liderando três pessoas em processos, depois foram 24 entre engenharia e qualidade e, após assumir a gestão de engenharia, esse número está em 6 pessoas, entre engenheiro elétrico, projetista, química, técnico de processos, auxiliar de processos e técnica de desenvolvimento de arte.
E como era ser supervisor?
R: O principal objetivo era influenciar, envolver e incentivar os colaboradores a gerarem resultados através de seus esforços. Estes resultados eram determinados conforme metas estabelecidas pela direção da empresa e, como principais atividades de supervisão, destaco o planejamento das atividades (com horários, cronogramas e feedbacks), gerenciar as pessoas para ter certeza de que o trabalho estava sendo executado, assumir responsabilidade pelo desempenho das pessoas que trabalhavam comigo. Além disso, exercer liderança, direção e influenciar as pessoas que darem o melhor de si para obtermos os resultados esperados. O supervisor deve estar disposto a ajudar na solução de um problema, uma dificuldade, uma necessidade do colaborador. Assim ele obtém o respeito necessário para influenciá-los.
E como você influenciava as pessoas?
R: Atuando principalmente como agente facilitador para a execução das tarefas. É fundamental que os colaboradores dêem o melhor de si (o seu talento) em benefício da empresa não por medo, imposição ou ameaça, e sim por entender que é o melhor para todos e que você está ali não para tratar-lhe com chicote, mas para auxiliá-lo na condução de suas atividades e liderá-los para alcançarem os objetivos da empresa. Confiar em sua capacidade, detectar oportunidades no colaborador e incentivá-lo a desenvolver suas competências e capacidades. Como exemplo, um de meus colaboradores veio do chão de fábrica. Detectei nele um potencial para o crescimento e incentivei-o. Trouxe para a engenharia, dei-lhe oportunidades para desenvolver suas idéias, espaço para apresentá-las e confiei em seu trabalho. Incentivei seu desenvolvimento pessoal e hoje ele, que iniciou como auxiliar de produção, cursa a faculdade de administração. Isso é gratificante não apenas para o colaborador, mas também para o líder, pois você vê ali o resultado de uma aposta.
E se aposta desse errado?
R: É possível detectar quando o colaborador, por motivos diversos, não corresponde à expectativa. Quando isto ocorre, o melhor é a transparência. Proporcionar uma avaliação com o colaborador e destacar os pontos que podem ser melhorados ou que foram piorados. E receber um feedback pois a desmotivação pode estar numa liderança equivocada. Se mesmo depois dessa avaliação, não houver evolução do colaborador, o caminho é a transferência para outro departamento ou então a demissão. Como exemplo, ao assumir a Qualidade, detectei que duas pessoas não tinham interesse na execução das suas tarefas. Por isso, conversei com ambas, expondo-lhes minhas observações e solicitando um feedback, pois uma liderança equivocada pode levar à desmotivação do colaborador. Diante dos fatos, ou da não mudança de comportamento, a única saída foi a demissão.
E como você tomou essa decisão?
R: Toda decisão precisa ser cercada de fatos, ou seja, analítica. Não podemos decidir somente pelo feeling, e sim, basear-se em informações. Para tomar não apenas esta com qualquer outra decisão, é necessário saber como estas decisões poderão afetar direta ou indiretamente as pessoas, meus superiores e até mesmo a empresa.
E como você trabalha sob pressão?
R: A pressão é uma consequência do cenário mundial que acaba provocando turbulência no ambiente corporativo. Para enfrentar a pressão por resultados de curto prazo, é necessário atuar com flexibilidade e possuir poder de superação. Flexibilidade para sair da zona de conforto e colocar-se À frente do campo de batalhaou, seja, a capacidade de se moldar diante dos problemas do dia a dia. Poder de superação para vencer os obstáculos do dia a dia. Para enfrentar a pressão , temos que ser resilientes. A pressão existe no chão de fábrica pois um minuto perdido significa prejuízo. Porém, quando o trabalho está bem planejado, o cronograma é factível e os colaboradores sentem-se motivados a usarem todo a sua habilidade, a pressão tende a diminuir. Obviamente, existem os motivos que fogem de nosso controle, como por exemplo, a quebra de um equipamento. Neste caso, a atuação do supervisor deve ser determinante para que o problema seja solucionado o mais rápido possível. O importante é o envolvimento direto e integral do supervisor na questão até que o problema seja solucionado. Depois disso, é importantíssimo que o problema seja discutido em reuniões PDCA para eliminar a causa deste problema.
Como você trabalha para atingir ou superar metas?
R: Primeiro, verifico se as metas são irracionais ou racionais. Irracionais posso exemplificar como “aumentar a produção”. Mas em que patamar estamos e aonde queremos chegar? A meta racional seria “aumentar a produção em 10%, passando de 1000 para 1100 peças”. Dentro desta meta, avaliaria as necessidades para atingi-la: aumentar o quadro, melhorar a organização, enxugar a produção, aplicar atividades de organização e métodos, aprimorar as habilidades dos colaboradores, prêmios de incentivo. Para aprimorar as habilidades – que seria o meio mais interessante, pois você está colaborando com o desenvolvimento e capacitação dos operadores – seria necessário determinar as habilidades específicas necessárias, verificar aonde podem ser aprendidas e determinar o método mais adequado. Realizei este trabalho para a eliminação de problemas de produção – ajuste de máquina e processos – onde as habilidades dos operadores foram avaliadas e detectei a necessidade de treinamento das habilidades. Procurei a instituição necessária e elaborei o cronograma e o planejamento. Este tipo de treinamento não apenas eliminou o problema em questão, como também contribuiu para reduzir o tempo de troca e aumentar a eficiência do posto de trabalho. Qual o seu maior erro como supervisor? R: Não delegar tarefas de forma adequada no início da minha experiência como supervisor. Acostumado a executar as tarefas, encontrei-me com a nova situação de delegar. Isto sobrecarregou algumas pessoas, especialmente a mim. Com o passar do tempo, e a adoção de planejamento e cronogramas, delegar tarefas tornou-se natural e os resultados foram mais eficazes.
E hoje, aprendeu a delegar?
R: Sim, hoje delego atividades pois isso aumenta a produtividade de todos os envolvidos. Além disso, delegar atividades motiva as pessoas pois você contribui para o desenvolvimento de suas habilidades e aumenta a satisfação no emprego para os funcionários. Por fim, a delegação ajuda você a avaliar melhor seus funcionários.
E como você delega atividades?
R: Primeiro, conhecendo a meta do trabalho. Depois, criando um plano de ação para cada funcionário envolvido. Estas tarefas precisam ter metas ou prazos para que os funcionários saibam o que se espera deles. Através de um cronograma e um plano de ações, é possível gerenciar as atividades de seus funcionários, solicitando-lhes feedback periódico que, dependendo da circunstância, poderá ser diário ou semanal. Como exemplo, cito o desenvolvimento de um novo produto onde várias pessoas estavam envolvidas, entre engenharia, qualidade, comercial e produção. Diante da meta estabelecida pela empresa, detectei as atribuições e a forma como cada um poderia colaborar, fiz uma reunião e elaborei um cronograma e um plano de ação para cada envolvido.
Como você gerencia os conflitos?
R: Ouvindo atentamente as partes envolvidas e julgando os problemas e não as personalidades. Após cercar-se de todos os fatos, caberá um processo decisório, ou seja, mantendo a mente aberta, evitando tomar partido, não ser tendencioso e não deixar que títulos influenciem na minha decisão. Como exemplo, durante a supervisão da qualidade, os conflitos que lidei eram entre os próprios inspetores acerca de padrões de aceitação da qualidade, e também entre inspetores e operadores. Para solucionar o problema entre os inspetores, criei um método analítico como critério de aceitação, com padrões e panoplias. E para solucionar os conflitos entre inspetores e operadores acerca de aprovação de linha de produção, realizei reuniões com a gerência de fábrica para definirmos a metodologia necessária – documentação, treinamento, comunicação, para evitar conflitos posteriores. Os conflitos acabam quando os critérios são claros, definidos e bem comunicados a todos os envolvidos. Os conflitos começam quando as decisões são subjetivas, baseadas em impressões ou achismos.
E como seria o Sandro como supervisor da nossa empresa?
R: Primeiro, compreenderia o que a empresa espera de mim como supervisor. Depois, compreenderia a necessidade dos funcionários e, por fim, avaliaria suas habilidades e procuraria desenvolvê-las e melhorá-las. O principal objetivo é proporcionar lucro para a empresa. A empresa espera lucro e, para isso, o supervisor é aquele que acompanhará a produção full time para que todas as metas e objetivos sejam atingidos, intervindo quando necessário, buscando soluções, gerenciando conflitos, críticas e elogios e, principalmente, influenciando de forma positiva a fim de usarem suas habilidades para trabalharem e atingirem os resultados esperados.
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