Por:
Luiz Fernando Garcia
Em seu último livro, Small Giants - Companies that Choose To Be Great Instead of Big (Pequenas Gigantes - Empresas que escolheram ser excelentes em vez de grandes), o americano Bo Burghiman, editor da .Inc, uma das maiores revistas de negócio do mundo, aborda casos de empresas dos EUA bem sucedidas que optaram por tal caminho para o sucesso: no geral, elas escolheram as coisas certas para as quais dizer “não” ao invés de dizer “sim” a uma proposta ainda que, a princípio, parecesse ser a melhor coisa a ser feita. Isso pode parecer loucura, mas é uma alternativa capaz de levar uma empresa a excelência porque seus líderes sabem onde querem chegar.
Ao longo de um trabalho com o acúmulo de mais de 16 mil horas de manejo comportamental, empreendedorismo e negócios - tempo que permite identificar as predisposições em cada indivíduo na orientação para o resultado em suas empresas - posso dizer que concordo com a linha de pensamento de Burghiman e com as decisões das companhias. Na verdade, tenho focado metodologias de ensino para embutir esse conhecimento na mente dos empresários brasileiros e em seus comportamentos durante os Grupos Dirigidos (GD) de Psicodinâmica em negócios, onde trabalho com empresários que buscam potencializar resultados.
O Brasil continua a ser um dos países menos interessantes para o investimento privado. O resultado é o tamanho da informalidade em nossa economia. O governo não cria um ambiente regulador que anime o investidor e o país afunda em impostos e faz drenagem do setor privado para sustentar o poder público. Se nada for feito para as reformas trabalhistas, tributária e legislativa, continuaremos a viver a “estável mediocridade”, já que o Estado não cabe no PIB.
Desde o brado “Exportar ou Morrer” do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso, o empresariado - que já passava por um processo de conscientização de que não bastaria apenas importar produtos de outros países para adequar tecnologicamente o parque industrial brasileiro - acabou comprando a idéia de que era necessário também buscar a penetração de produtos brasileiros no mercado internacional e agregar cada vez mais valor a esses produtos, buscando inclusive desenvolver a Marca Brasil, começando então, no País, uma onda em prol das exportações brasileiras.
O legado deixado por Fernando Henrique Cardoso foi de suma relevância para o momento, que vive agora o comércio exterior brasileiro, não apenas em termos de superávits, mas especialmente por sua participação no cenário internacional, pelas relações diplomáticas e por uma visão mais globalizada de mundo.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva vem dando continuidade à política de comércio internacional, deixada por FHC, fortalecendo cada vez mais o ideal de aumentar expressivamente as exportações brasileiras, mas também de não conter de forma castradora as importações, como ocorreu no governo anterior. Acredita-se que o equilíbrio real do comércio internacional dê ao País o desenvolvimento tão sonhado.
Com relação à participação dos empresários brasileiros no mercado internacional, o estudo da Associação de Comercio Exterior do Brasil (AEB) mostrou que em 2005 as exportações totais de US$ 118,308 bilhões foram realizadas por 17.657 empresas, entre pequenas, médias e grandes. Do universo das empresas exportadoras, apenas 1.113 empresas, representando 6,30%, foram responsáveis por exportações no montante de US$ 105,494bi, que corresponderam a 89,17% em volume financeiro.
Em contrapartida, as demais 16.544 empresas, que equivalem a 93,70% do total das empresas exportadoras, realizaram exportações no montante de US$ 12,814 bilhões, que significam apenas a 10,83% das vendas ao exterior em 2005. Este cenário mostra elevada concentração das exportações em reduzido número de empresas de grande porte, enquanto a maioria esmagadora, teoricamente de pequeno e médio porte, possuem tímida participação, independente da origem de seu capital e do tipo de produtos exportados. Pior ainda é saber que, apesar desses dados positivos, no universo de empresas instaladas no Brasil a maioria é composta por empresas de capital nacional, fazendo com que essa maior participação de empresas nacionais na exportação, proporcionalmente, seja menor do que as empresas estrangeiras.
Desse modo, apesar de o brasileiro ter uma forte iniciativa para o empreendedorismo, a economia do país não estimula e as pessoas que têm ou querem ter seu próprio negócio precisam ir além: se tornarem pessoas de resultados para fazer com que a sua pequena empresa seja excelente, e ainda contribua para o incremento econômico do país. Para isso, é necessário desenvolver e aplicar um novo “modelo mental” em seus líderes, com o objetivo de diagnosticar, analisar, interferir e direcionar soluções aliadas a padrões comportamentais que conduzem para o resultado. Tal modelo que proponho se apóia nos conhecimentos da psicologia, em estudos científicos na área de negócios e em processos de excelência administrativa, conclusão de um trabalho intenso que fiz para a ONU e para o Sebrae.
Na verdade, quando a pessoa adota a “postura empreendedora” e passa a planejar no papel as futuras metas de sua empresa que deverão se transformar em práticas, inicia uma fase de crescimento, pois está, na verdade, unindo a Psicodinâmica aos Negócios. A mudança é fundamental para o empresário não apenas focar e obter resultados em sua atuação no mercado nacional, mas principalmente para demonstrar um comportamento adequado para ser um “player” no mercado internacional e permitir que suas empresas sejam “pequenas gigantes”, ou seja, ótimas ao invés de grandes.
Atenciosamente,
Joeme Oliveira